Promessas Vazias: O Abandono do Parque Cidade da Criança em Manaus

Enquanto o prefeito David Almeida foca em marketing, a realidade de descaso e insegurança se agrava para as crianças manauaras.

A gestão do prefeito David Almeida (Avante) continua acumulando promessas não cumpridas e denúncias de abandono na cidade. A mais recente é a abertura de um inquérito civil pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) para investigar o total descaso da Prefeitura com o Parque Cidade da Criança, situado no bairro Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus.

Esse espaço, que deveria ser um exemplo de lazer e recreação infantil, tornou-se símbolo de negligência. Brinquedos quebrados, mato alto, estruturas enferrujadas e insegurança compõem o cenário real do parque, que contrasta com o que o prefeito e seu vice, Renato Júnior, tentaram apresentar à população em vídeos institucionais meses atrás.

A investigação foi formalizada pela Portaria nº 0039/2025, com base na Notícia de Fato nº 01.2025.00001075-9, que denuncia o evidente estado de abandono do espaço público. De acordo com o MP, a situação pode representar um descumprimento das normas do Plano Diretor Urbano e Ambiental do município, uma vez que a Prefeitura não cumpre sua função básica de manter a cidade minimamente habitável.

Marketing em vídeo versus abandono na prática

O caso do Parque da Criança é emblemático: a gestão aparece em vídeos prometendo revitalizações, mas ao visitar o local, a realidade é bem diferente. O próprio prefeito foi visto ao lado de Renato Júnior anunciando uma “reforma geral” nos parques e praças. Meses depois, o que se encontra são brinquedos deteriorados, áreas interditadas e nenhuma sinalização de obras. A Secretaria Municipal de Educação (Semed), responsável pela administração do parque, foi notificada pelo MP e agora deve dar explicações. A questão é: o que a Semed tem feito pelo espaço? O que justifica a omissão em um local destinado ao público infantil, especialmente em uma cidade com cada vez menos áreas públicas seguras para crianças?

David Almeida e o silêncio conveniente

O abandono do parque não é um caso isolado. A gestão David Almeida já enfrentou críticas severas pela omissão diante de tragédias como a da Avenida Djalma Batista, onde uma gestante e seu bebê perderam a vida após caírem em um buraco. Não houve uma palavra de solidariedade da Prefeitura. Nenhuma nota. Nenhuma visita. Nenhum gesto.

Esse padrão de silêncio e indiferença frente aos problemas da cidade tornou-se a marca registrada do governo municipal. Enquanto Manaus afunda em buracos, carece de iluminação, sofre com alagamentos e vê espaços públicos abandonados, a prioridade permanece no marketing institucional e na autopromoção nas redes sociais.

Cidade para quem?

A pergunta que fica é: para quem governa David Almeida? Porque para as crianças, os moradores dos bairros e as mães que perderam filhos em tragédias evitáveis, ele não tem governado. A gestão parece mais preocupada em manter aparências do que em proporcionar resultados concretos; no caso do Parque Cidade da Criança, nem mesmo o básico tem sido feito.

Agora, com o Ministério Público investigando, talvez a gestão se mova não por responsabilidade, mas por pressão. É lamentável que mais uma vez os interesses públicos só sejam respeitados quando a Justiça entra em cena.