A “Manaus Verde” de David Almeida: milhões gastos, 70% das mudas mortas e suspeita de desperdício no TCE-AM

Manaus (AM) – Em vez de sombra e frescor, Manaus recebeu da gestão de David Almeida (Avante) uma cidade cada vez mais sufocante, com ilhas de calor e concreto onde deveriam estar árvores. Agora, o prefeito e seu secretário de Meio Ambiente, Fransuá Matos, tornaram-se alvos de uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) por suspeita de má gestão e desperdício de recursos públicos em um plano de arborização que fracassou retumbantemente.

Segundo o próprio município, cerca de 70% das mudas plantadas nos últimos anos morreram. A justificativa oficial fala em calor, furtos e vandalismo, mas o Ministério Público de Contas (MPC-AM) não engoliu a desculpa: o órgão considera que o problema é de planejamento precário e falta de gestão, o que levou à perda de dinheiro público e à manutenção da capital entre as menos arborizadas do Brasil.

Contrato milionário que não deu frutos

O fiasco fica ainda mais indigesto quando se olha para o Contrato nº 004/2022, aditivado em 2024, no valor de R$ 5,2 milhões. O acordo firmado entre a Semmasclima e a empresa Pro Service Conservação e Construção Ltda. tinha como objetivo o plantio e a manutenção das mudas. O resultado, no entanto, foi uma verdadeira “floresta fantasma”: a maioria das árvores simplesmente não resistiu.

O MPC-AM vê nessa combinação de contrato caro e perdas altíssimas um indício de prejuízo direto aos cofres públicos, o que levanta dúvidas sobre a real efetividade e fiscalização do serviço.

Plano de papel, cidade no forno

O órgão de controle também escancarou outra falha: a falta de transparência e atualização do Plano Diretor de Arborização Urbana, parado em 2016. O documento é descrito como “incompleto e inconsistente”, sem metas, indicadores, estratégias ou orçamentos claros.

Em 2023, a Prefeitura anunciou com pompa o programa “Manaus Verde”, mas até hoje não apresentou relatórios, metas ou resultados concretos. Mais um projeto de marketing ambiental que ficou no discurso.

Manaus sem verde, população sem ar

Enquanto a gestão tropeça na burocracia e no desperdício, a população sente no corpo os efeitos da má administração. Manaus possui apenas 23,9% de cobertura verde, um dos índices mais baixos entre as capitais brasileiras, ironicamente, no coração da Amazônia.

As consequências são diretas: ondas de calor insuportáveis, alagamentos agravados, aumento da poluição e até problemas de saúde pública. Para o MPC-AM, a falta de políticas sérias de arborização agrava ainda mais a emergência climática na cidade.

O crime contra a cidade

O desastre ambiental da gestão David Almeida não se limita ao fracasso das mudas. No mês passado, a própria prefeitura foi denunciada por arrancar árvores do canteiro central da Avenida do Turismo em nome da ampliação de uma via. O resultado, segundo especialistas, foi o comprometimento do sistema radicular e a condenação antecipada das árvores que ainda resistiam.

“Manaus precisa de mais áreas verdes, não dessa destruição desordenada”, criticou o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas).

A conta chega no TCE-AM

Diante do cenário, o procurador do MPC-AM, Ruy Marcelo Alencar, pede ao TCE-AM a abertura de investigação formal, aplicação de sanções e prazo para que a Prefeitura finalmente cumpra seu papel básico: garantir um meio ambiente equilibrado e políticas públicas sérias de arborização.

Enquanto isso, a realidade é uma só: a tão propagandeada “Manaus Verde” de David Almeida está seca, cara e vergonhosa, um retrato da incompetência administrativa e da indiferença com a qualidade de vida da população.