Bolsas globais desabam após retaliação da China a tarifas de Trump

A escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China provocou uma nova onda de turbulência nos mercados financeiros nesta sexta-feira (4). Em resposta às chamadas “tarifas recíprocas” anunciadas por Donald Trump, Pequim decidiu aplicar uma tarifa de 34% sobre produtos americanos. A medida causou forte queda nas bolsas globais e pressionou o câmbio no Brasil, onde o dólar passou de R$ 5,75, com alta superior a 2%.

Na Ásia, os principais índices fecharam o segundo pregão seguido no vermelho. Tóquio caiu 2,75%, com destaque para perdas nas montadoras japonesas. As bolsas de Seul e Sydney também fecharam em baixa. Já os mercados chineses permaneceram fechados devido a um feriado. O impacto da retaliação chinesa se intensificou na Europa: Frankfurt registrou perdas superiores a 5%, enquanto Milão chegou a recuar mais de 7% no pior momento do dia.

Nos Estados Unidos, a tensão se manteve elevada. O índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas americanas, já havia recuado 4,84% na quinta-feira, acumulando uma perda de US$ 3 trilhões em valor de mercado — o pior desempenho desde os primeiros meses da pandemia. O petróleo tipo Brent também foi afetado e caiu mais de 6% após o anúncio das tarifas chinesas.

As medidas anunciadas por Trump impõem tarifas que variam de 10% a até 54%, dependendo do país. A China, por exemplo, já era taxada em 20% antes da nova alíquota de 34%. Outros aliados dos EUA também foram atingidos: Japão (24%), Coreia do Sul (25%), Taiwan (32%) e União Europeia (20%). A escalada tarifária ampliou o receio de uma ruptura na ordem comercial global.

Com a aversão ao risco crescendo entre investidores, o ouro — tradicional ativo de segurança — foi negociado a US$ 3.101 por onça, perto de seu recorde histórico. Para analistas, o movimento representa um ponto de inflexão no comércio mundial. “Os anúncios de Trump desencadearam uma onda expansiva que abala a estrutura que os próprios EUA ajudaram a construir”, avaliou John Plassard, da Mirabaud.

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